Postagens

Imagem
Jonas e seu sino: O dito já foi feito. Às portas da baleia um alemão segura um guarda-chuva. -Meu trem! diz ele aos gritos dos surdos amantes de Joaquim que diz só haver lugar para mais dois. de par em par se faz um monte de retruco. O turco Henrique diz que não quer ir. - aqui tenho água gelada suficiente para meia eternidade. Argos aumenta, suas geleiras desenham um quase infinito múltiplos de dois. O turco Henrique é um mártir a não ser perdoado. -Vais comigo, ainda que sejas amarrado! corram! corram! diz Roney C, o gentil. Calisto, a  amante de Joaquim, já partiu. deixou instruções nos postes e nas paredes.

Au revoir

Imagem
Como nunca vi o mar, um rio é a coisa mais linda que existe e quando eu encontrar o mar, vou querer desve-lo para amar toda vez que surpreso. ******** Puis chez nous, tout heureux (joyeux), tout aises, En paniers, enlaçant nos doigts, Revenons, rapportant des fraises Des bois. Theóphile Gauthier

Banquete de Natal

Imagem
Lá fora a bola bate no chão anunciando o coração do menino Uma revoada de besouros me fez pensar - Beija-flor ganhou ninhada. Tudo é tranquilo não fossem os carros e o coração do menino e o galo E o galo que cisca para trás contrariando o Natal. Já cantou logo cedo, agora cisca. Jogando fora comida que não serve. Outros virão saborear o banquete. A noite chega, a familia chega... estão com fome. Não é fome de besouro, nem de beija-flor, nem de galo. O coração do menino já não bate, caiu talvez, no quintal do vizinho...

Degraus

Certezas tem um quê de malignidade Anjos sombrios mostrando o caminho              pego, largo, pego                tênue         linha                        certo                       errado                      verdade                      mentira                       tudo é aqui ...

Cheiro de sol

Minha infância tem cheiro de sol Correr era igual a rasgar o ventre do vento Rodopiar era a primeira intenção de se embriagar Minha infância tem cheiro de sol As roupas tinham que ter qualquer coisa de nuvem Se não fosse dia de escola os pés só calçavam areia Minha infância tem cheiro de sol O espectro da solidão nem assombrava Era tudo orquestra: de latas, de grilos, de aves... Minha infância tem cheiro de sol Mãozinhas miúdas que hoje me acalentam É lá onde hoje repouso minha sombra

Meus olhos

Já nem sei se sou triste Esse é o único caminho que conheço Meu sorriso ficou trancado No ventre de onde nasci Não sou a flor bela mas, a angústia Esta sela meu destino Invejo aqueles que sorriem Aqueles que nem olham as estrelas Aqueles que nem pedem conselhos à lua Invejo a mulher que alimenta seu filho no peito Sem se perguntar o que é a vida... Meus olhos são grandes, imensos E sempre querem mais Querem se misturar ao infinito!

Meu quintal

Não hás de descobrir Os lugares por onde andei Ainda que lá possas estar Não hás de saber Os lugares que encontrei Foram meus olhos que andaram Dando cambalhotas Adentrando na paisagem Vasto mundo além dos limites Cabe e se estende infinitamente No meu olhar... Há tempos que indefini O tamanho do meu quintal.