Tempo

Um ar irrespirável de saudades!
entre a lâmpada e o móvel,
aranhas desfilavam tecendo o tempo...
gavetas! há tanto tempo fechadas,
gemeram ao simples toque de meus dedos.
Delas lembranças finalmente respiraram
novamente vivas em minha mente.
Estantes, livros, desenhos, quadros...
desbotados! E eu, como estaria?
De repente me procurei num espelho,
e ainda rente à parede encontrei
um grande e ovalado olho esfumaçado de poeira!
fui aos poucos descortinando com minha mão...
o que eu tinha me tornado!?
fiquei ali me olhando com tanta insistência
que então me desconheci!

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