As Horas

Ele semblante agora taciturno
Parece conter severas lembranças
O olhar revelando ainda a criança
Que existiu naquele que hoje é noturno

Da varanda sua retina abraçada às àrvores
Desejando raizes em sua alma
Um bosque atravessado não acalma
A paisagem que agora perdeu as cores

Sua aquarela só contendo cinzas
Foi ofertada por tantos dissabores
Pois aquela que um dia ele cobriu de flores
Está deitada sob um manto de sempre-vivas

O balanço da cadeira, sua signa
Herança de algum antepassado
Olhos fixos no ranger desalmado
Daquela que um dia embalava cantigas

Áspero ruido marcando o compasso
Horas que já não serão mais infindas
Anestesia e pune a vida que existe ainda
É a precisa Senhora ofertando-lhe o braço!

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