Sobre verdades

Sonhei que vagava por entre verdades
Retalhos costurados em páginas de livros
Lá eu começava a me perder
Nessa longa estrada de escritos
Passos largos tentei e também devagarinho...
Tentei segurar as verdades no meu intimo
Mas esse, delas zombava
Verdades absolutas, verdades conhecidas
reconhecidas, coisa e tal...
Tentei calar meu instinto
_Quieto! não vês que assim me farás ridículo?
Mas logo minha razão a este se juntava
Em um grande coro que, das verdades zombava
Tentei me agarrar à humildade
e aos seus pés eu implorava
_Não me deixes subir tão alto!
deixe-me aqui onde as verdades possam chover...
Logo meus sentidos pulavam alegremente
sobre as poças lamacentas que as verdades formaram
Eu não sabia mais a quem recorrer
Buda, Cristo, Khrisna, Zoroastro ou ao diabo
Todos os mitos tentei
_Dobrem meus joelhos, façam de mim um escravo!
implorei.
Mas, quanto mais nelas eu tentava me segurar
Mais as verdades escorregavam
Foi só um sonho, ou acordei?

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